A nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC) foi aprovada no final de 2017. Naquele tempo, ninguém poderia nem mesmo imaginar que esse incrível documento entraria em vigor justamente num momento crucial como esse que estamos vivendo.

Sabemos que o pós-pandemia será altamente desafiador para a educação em todo o planeta. Aqui no Brasil, a BNCC, de aplicação obrigatória nas escolas públicas e privadas do país desde janeiro de 2020, será determinante nesse processo de retorno. Isso, não só sob o aspecto pedagógico, balizado em seis competências. Mas, também sob o aspecto socioemocional. Afinal, a BNCC determina quatro competências exclusivamente para essa área.

Agora, mais do que nunca, observamos que a BNCC chegou para as escolas na hora exata. Todas as instituições de ensino do país, sem exceção, devem rever sua grade curricular, metas e prioridades. Mais além, devem promover as alterações para acolher estudantes e professores, de modo a facilitar a reconexão de todos em sala de aula.

Escolas que possuem o programa Líder em Mim já possuem em sua grade um espaço especial para abordar o desenvolvimento socioemocional com seus alunos. Agora, para as instituições de ensino que ainda não podem contar com o Líder, a BNCC ganha ainda mais importância no momento de reabertura das escolas.

Reabertura precisa ser repleta de acolhimento

Reabertura deve ser repleta de acolhimento

A seguir, o Blog Líder em Mim detalha um pouco mais cada uma das dez competências contidas no documento. Lembrem que elas devem nortear o planejamento educacional.

Leia e veja como isso ajudará os educadores nesta que é uma nova realidade.

Atenção ao socioemocional

Trazer para o currículo uma formação integral e mais humana dos estudantes é um dos objetivos da BNCC. Para isso, quatro competências de caráter socioemocional integram o documento:

Autonomia e responsabilidade: agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação. Desse modo, é possível tomar decisões com base em princípios democráticos, inclusivos, solidários e sustentáveis;

Empatia e cooperação: exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação. Isso, para fazer-se respeitar e promover o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade, sem preconceitos de qualquer natureza;

Autoconhecimento e autocuidado: conhecer-se, apreciar-se e compreender-se na diversidade humana. Assim, é possível cuidar da saúde física e emocional, reconhecer suas emoções e as dos outros com autocrítica e capacidade para lidar com elas.

Autogestão: valorizar e apropriar-se de conhecimentos e experiências para entender o mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas à cidadania e ao próprio projeto de vida com liberdade, autonomia, criticidade e responsabilidade.

Cooperação, empatia e autogestão: competências contidas na BNCC

Cooperação, empatia e autocuidado: competências contidas na BNCC

Competências no atual contexto

No atual contexto, as competências de caráter socioemocional acima descritas ajudarão e muito a busca do reequilíbrio dos alunos. Afinal, assim como nós adultos, eles também passaram e seguem atravessando essa fase de ansiedade e estresse provocados pela pandemia.

O período, inclusive, é muito oportuno para o desenvolvimento de habilidades como o autoconhecimento e autocuidado. Dessa forma, aprende-se a reconhecer cada uma das diversas emoções afloradas e a lidar com elas.

Através da autogestão, autonomia e responsabilidade, os estudantes conseguem visualizar que podem ser agentes de transformação em busca de um mundo melhor. Trata-se de um aprendizado valioso e muito bem aplicado nesse momento, onde o coletivo, o agir pelo outro, com empatia e espírito de cooperação fazem toda a diferença.

No ambiente escolar, através dessas competências socioemocionais contidas na BNCC, professores poderão colaborar e dialogar com seus alunos, buscando a construção desse tipo de formação. Vale dizer, formação essa que é de grande importância para uma vida profissional e pessoal bem sucedida.

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E o conteúdo pedagógico?

Além das quatro competências de caráter socioemocional, a BNCC traz outras seis competências, essas com caráter mais pedagógico. Elas estabelecem o conjunto de conhecimentos e habilidades que cada estudante deve aprender em sua etapa escolar.

Novamente, o documento servirá como um importantíssimo instrumento de avaliação dos alunos na reabertura das escolas. Dessa maneira, poderão conhecer o grau de defasagem na aprendizagem e na recondução do ensino no pós-pandemia.

Aqui, é preciso alertar: se normalmente, o professor consegue observar numa mesma sala de aula diferentes níveis de absorção do aprendizado, num retorno depois de mais de meio ano sem aulas presenciais, a desigualdade será ainda maior entre alunos.

Então, a BNCC atuará como fio condutor, como uma régua do ensino. Com ela, será possível promover atividades diagnósticas e avaliar como os alunos ficaram, o que aprenderam e o que recuaram. Assim, a partir do que baliza a BNCC, as escolas poderão redefinir, fazer escolhas e novos planejamentos curriculares. Tudo para nivelar minimamente os alunos e dar continuidade ao conteúdo pedagógico.

BNCC ajudará na avaliação do nível pedagógico dos alunos ao retornarem

BNCC auxiliará na avaliação do nível pedagógico dos alunos ao retornarem

As competências de caráter pedagógico

Nesse campo pedagógico estão estabelecidas na BNCC as seguintes competências: conhecimento; pensamento científico, crítico e criativo; comunicação; argumentação; cultura digital; e senso estético. Abaixo, descrevemos um pouco mais de cada um.

Conhecimento: valorizar e utilizar os conhecimentos sobre o mundo físico, social, cultural e digital. Isso, para entender e explicar a realidade; continuar aprendendo e colaborar com a sociedade;

Pensamento científico, crítico e criativo: exercitar a curiosidade intelectual e utilizar as ciências com criticidade e criatividade.Assim, podem investigar causas, elaborar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções;

Comunicação: utilizar diferentes linguagens para expressar e partilhar informações, experiências, ideias, sentimentos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo;

Argumentação: argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis para formular, negociar e defender pontos de vista e decisões comuns. Isso, com base em direitos humanos, consciência socioambiental, consumo responsável e ética;

Cultura digital: compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de forma crítica, significativa e ética para comunicar, acessar e produzir informações e conhecimentos. Mais além, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria;

Senso estético: valorizar as diversas manifestações artísticas e culturais. Assim, é possível fruir e participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural.

Contextualização das competências

Veja como aqui, novamente, as competências combinam perfeitamente com o nosso momento. Afinal, o conhecimento e o pensamento científico, crítico e criativo estão diretamente ligados ao aprendizado em diferentes situações. O ensino durante a pandemia sofreu mudanças abruptas.

O saber teve que ser buscado de outras formas, tendo o senso crítico uma enorme relevância para filtrar e absorver as boas informações. Mais além, tivemos que evidenciar e fortalecer o nosso questionamento, além de enriquecer o repertório cultural.

Tudo isso, sem deixar de falar no local onde tudo isso acontece: na virtualidade. O ambiente em que a educação tem acontecido nos mostra a necessidade de desenvolver a cultura digital, da forma como dita a BNCC. Isso, inclusive, deve se transformar num legado a ser deixado pela pandemia.

Agora, alunos, professores e gestores escolares estão utilizando ferramentas até então desconhecidas ou muito pouco usadas. Dessa forma, a tecnologia pode e deve contribuir no processo de ensino e aprendizagem. Verdade que foi de maneira até forçada, pela situação. Mas, enfim, todos têm percebido como essas ferramentas são capazes de auxiliar o desenvolvimento educacional.

Cultura digital, presente na BNCC, será um dos legados deixados pela pandemia

Cultura digital: presente na BNCC, será um dos legados deixados pela pandemia

O conteúdo cognitivo e socioemocional trazido na BNCC já sinalizava uma educação em transformação. Dessa maneira, a pandemia, nesse sentido, chegou e serviu para ressaltar a necessidade da evolução. Por isso, não é exagero dizer que juntas, BNCC e pandemia preparam o terreno para o futuro desse processo de ensino e aprendizagem.

Veja mais matérias sobre BNCC e as habilidades socioemocionais aqui.

Fonte: O Lider Em Mim

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