Muito se tem falado nos últimos dois anos sobre a nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC), porém, desde o início das discussões, a questão fundamental para toda a comunidade escolar é:  “Qual o seu impacto na vida dos nossos alunos? ”

A BNCC (2018) é um documento que define o conjunto de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo de todas as etapas da Educação Básica. Importante salientar que aprendizagens essenciais não podem ser confundidas com aprendizagens mínimas, se quisermos avançar em termos de qualidade educacional. As aprendizagens essenciais definidas na BNCC (2018) têm a função de assegurar aos estudantes os direitos de aprendizagem e desenvolvimento,  em um ensino pautado pelo desenvolvimento de competências (conceitos e procedimentos) e habilidades (práticas cognitivas e socioemocionais).

Em seus fundamentos pedagógicos a BNCC indica claramente o que os alunos devem “saber” (conhecimentos, habilidades, atitudes e valores) e, sobretudo, o que devem “saber fazer” (a mobilização desses conhecimentos, habilidades, atitudes e valores).  Embora a BNCC não seja currículo, chega aos Estados, Municípios, Escolas Públicas e Particulares com a função de orientá-los obrigatoriamente, promovendo a igualdade e a equidade no processo de ensino aprendizagem.

Porém, não há como pensarmos na promoção destes valores, na reorganização curricular, sem levarmos em conta os conteúdos socioemocionais, que necessitam estar presentes na escola desde a Educação Infantil.  Observamos nesta primeira etapa da Educação Básica, uma organização curricular estruturada pelos Direitos de Aprendizagem e estabelecimento de Campos de Experiência, que devem ser vivenciadas pelas crianças através das interações e brincadeiras, com vistas à formação humana integral.  Sem dúvida, é uma nova perspectiva de ensino aprendizagem que se abre aos alunos desde pequenos, considerando os indissociáveis aspectos socioemocionais no decorrer de todo o processo, o que deverá impactar positivamente a vida desses alunos no decorrer da escolarização.

Há no documento da BNCC dez competências fundamentais que norteiam toda a Educação Básica (Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio), entre as quais, quatro que fazem referência explícita ao desenvolvimento de competências e habilidades socioemocionais, embora todas elas tragam essa  perspectiva  nas  entrelinhas, perpassando, de maneira transdisciplinar, as habilidades cognitivas.

Na BNCC o desenvolvimento das  habilidades socioemocionais dos alunos é tão importante quanto o desenvolvimento da leitura, escrita e cálculo, o que demonstra a preocupação com a formação humana e integral do ser humano. Essa preocupação impacta além do currículo, o planejamento e a forma do professor desenvolvê-lo. Um grande desafio está posto – a necessidade de considerarmos na prática, em sala de aula, o papel ativo do aluno na construção do conteúdo, tirando o foco da figura do professor “detentor de conhecimento” para substituí-lo pela figura do professor “mediador do conhecimento”.

Embora em um primeiro olhar não pareça, essa mudança de papel do professor, implica na  adequação da escola às novas demandas do século XXI, que traz consigo a necessidade de um aluno mais autônomo, que será possível somente  com a parceria família X escola. Nesta parceria cabe à escola incentivar o desenvolvimento da autonomia do aluno desde pequeno, em gestos simples, como por exemplo:cuidar dos seus pertences, do seu lanche, vestir-se, amarrar os sapatos… aumentando gradativamente o grau de responsabilidade frente às tarefas propostas. Por outro lado, cabe às famílias na prática: apoiar e incentivar o desenvolvimento da autonomia das crianças, deixando-as responsáveis por suas tarefas escolares, agendas e outros pertences, mediando sua formação integral.

Ainda é cedo para mensurarmos o impacto da nova BNCC na vida dos nossos alunos, visto que sua implantação total ocorrerá em 2019, mas, ao estudarmos o documento é possível observar um currículo que coloca o aluno no centro, exigindo sua participação ativo na construção do conhecimento, com vistas à formação integral. Nessa direção, o professor deixa de planejar apenas o que vai fazer, para planejar também, o que o aluno vai fazer durante as aulas.

Essa mudança de paradigma, considerando o aluno como um ser integral, com necessidades socioemocionais, sem dúvida resultará num movimento ascendente de mudanças em nossas escolas, impactando da sala de aula às avaliações externas em vigor atualmente, da Provinha Brasil ao ENEM. Mas, sobretudo, esperamos que impacte positivamente a formação de nossos alunos enquanto seres humanos.

 

Referência:

BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. MEC/Maio 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/wp-content/uploads/2018/02/bncc-20dez-site.pdf. Consulta em: 20/05/2018.

 

Fabíola Nogueira Costa

Coordenadora Pedagógica

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