Eloi Zanetti

Era um reunião numa escola. A diretora incentivava os pais a apoiarem as crianças,
falando da necessidade da presença deles junto aos filhos. Mesmo sabendo que a
maioria dos pais e mães trabalhava fora, ela tinha convicção da necessidade de
acharem tempo para seus filhos.
Foi então que um pai, com seu jeito simples, explicou que saía tão cedo de casa, que
seu filho ainda dormia e que, quando voltava, o pequeno, cansado, já adormecera.
Explicou que não podia deixar de trabalhar tanto assim, pois estava cada vez mais
difícil sustentar a família. E contou como isso o deixava angustiado, por praticamente
só conviver com o filho nos fins de semana.
O pai, então, falou como tentava redimir-se, indo beijar a criança todas as noites,
quando chegava em casa. Contou que a cada beijo, ele dava um pequeno nó no
lençol, para que seu filho soubesse que ele estivera ali. Quando acordava, o menino
sabia que seu pai o amava e lá estivera. E era o nó o meio de se ligarem um ao outro.
Aquela história emocionou a diretora da escola que, surpresa, verificou ser aquele
menino um dos melhores e mais ajustados alunos da classe. E a fez refletir sobre as
infinitas maneiras que pais e filhos têm de se comunicarem, de se fazerem presentes
nas vidas uns dos outros. O pai encontrou sua forma simples, mas eficiente, de se
fazer presente e, o mais importante, de que seu filho acreditasse na sua presença.
Para que a comunicação se instale, é preciso que os filhos ‘ouçam’ o coração dos pais
ou responsáveis, pois os sentimentos falam mais alto do que as palavras. É por essa
razão que um beijo, um abraço, um carinho, revestidos de puro afeto, curam até dor
de cabeça, arranhão, ciúme do irmão, medo do escuro, etc.
Uma criança pode não entender certas palavras, mas sabe registrar e gravar um gesto
de amor, mesmo que este seja um simples nó.
E você? Tem dado um nó no lençol do seu filho?

(reproduzido da RevistaTiquinho – outubro/2001)
Eloi Zanetti é Consultor em Marketing, Comunicação Corporativa e Vendas, Palestrante e
Escritor

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